quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Encontros e desencontros - 1º capítulo

É final de tarde e três amigos resolvem sair para fazer um lanche no café da cidade. Quando um deles avista uma coisa que lhe assusta e fala para os outros fazerem silêncio.
- Olha lá!
- Olha lá o quê Diogo? Eu não to vendo nada.
- Olha! Ali no café.
- Eu só estou vendo a fachada do café, a porta do café, e algumas pessoas sentadas nas mesas fazendo um lanche.
- Não é fora do café. Olhe pra dentro do café. Veja quem está no balcão.
- É a Jenna?

- É a Jenna. Eu to vendo ela, vocês também estão vendo ela. Então é ela mesmo.
- Mas o que que ela está fazendo aqui?
- É muita coragem aparecer aqui.
- É muita cara de pau, isso sim. Como ela tem coragem de aparecer aqui depois de tudo que ela fez?
- Ela sentou. Vamos lá tirar isso a limpo.
- Você quer ir lá falar com ela?
- Eu quero saber como ela teve a coragem de aparecer aqui.
- Jenna! O que você pensa que ta fazendo aqui? Como você tem coragem de vir aqui?
- Calma aí, aqui é a minha cidade também. Minha família mora aqui. Minha mãe, meu pai, minha avó, todo mundo. Esqueceram foi? Vocês não podem me proibir de vir aqui.
- Aqui deixou de ser sua cidade quando você largou tudo e todos e foi embora gritando pra todo mundo ouvir que aqui é uma cidadezinha atrasada, que não evolui nunca, e que se você ficasse aqui você ia viver uma vida medíocre.
- Só por que eu nas...
- Ahh, você ainda disse que essa cidade era muito pouco pra você, que você merecia muito mais. Você ridicularizou todo mundo que mora aqui, inclusive sua família.
- Eu não sou obrigada a viver aqui pra sempre. Não é por que eu nasci aqui, que tenho que viver aqui.
- Não, mas você poderia ter feito as coisas completamente diferente, e do jeito certo. Você poderia ter chamado o Jimmy pra ir com você. Vocês iam morar lá, e vinham visitar a família durante as férias. O que tem de ruim nisso?
- O Jimmy não iria querer sair daqui nem que sua vida dependesse disso.
- Ele iria sim, se você conversasse com ele, ele iria, ele te amava muito e você sabe disso.
- Pelo amor de Deus, vocês conhecem ele, vocês cresceram juntos, aliás, todo mundo aqui cresceu junto. Ele me amava sim, mas vocês sabem que ele ama essa cidade mais do que até do que ele mesmo. Ele jamais sairia daqui. Eu mesma perguntei a ele várias vezes se ele não sonhava em sair daqui e ir viver na cidade grande, e ele sempre me respondia que não, que ele podia até viajar de férias pra conhecer outros lugares, mas o lar dele mesmo é aqui.
- E por que você não abriu o jogo com ele então? Tinha que esperar o dia e a hora do casamento pra ir embora sem nem sequer dizer adeus, muito mesmo dar uma explicação? Ninguém merece ser largado desse jeito na hora do casamento.
- Eu não desejo isso nem para o meu pior inimigo.
- Eu não podia casar com ele e ficar presa aqui para o resto da minha vida. Quando eu viajei para comprar o vestido, e eu vi toda aquela cidade, com todo aquele potencial só esperando por mim, eu tive certeza que não estava pronta pra casar, muito menos pra passar o resto da minha vida aqui. Eu tinha ainda tanta coisa pra viver, pra fazer, eu tinha muito que trabalhar e estudar antes de casar. Eu não queria pra mim a mesma vida que nossos pais tiveram por se recusar a lutar pelo o que eles queriam.
- Pelo amor de Deus! Você viajou pra cidade pra comprar o vestido cinco meses antes do casamento. E você agora ta me dizendo que teve certeza cinco meses antes e esperou até a hora do casamento pra fugir?
- A gente tava pensando que você tinha dúvidas, e estava com medo de tomar uma decisão errada e se arrepender pelo resto da sua vida, e na hora do casamento você teve certeza e foi embora com medo. Até então a gente culpava você só por ter ido embora sem dar uma explicação ou pelo menos dizer um adeus.
- O Jimmy ficou lá na igreja te esperando por horas, ele não quis acreditar quando seu pai teve que dizer pra ele com lágrimas nos olhos que você tinha ido embora pra sempre e que não tinha deixado nenhum bilhete. Ele se recusou a sair da igreja. E em apoio ninguém saiu também. A cidade inteira ficou lá com ele por que você foi embora.
- Já chega de conversa né. Você tem que ir embora agora. Saia da cidade imediatamente.
- Vocês não podem me expulsar daqui, eu vim visitar a minha famíia, não vou sair assim fugida.
- Como se você fosse se importar né... você já fez isso uma vez, pode muito bem fazer de novo.
- Vocês vão me proibir de ver a minha família agora?
- Você vai embora, depois ligar pra sua mãe, manda a passagem pra eles, e eles vão até você te visitar. Todo mundo ganha.
- Isso é um absurdo, meus pais nunca vão aceitar uma coisa dessas.
- Ah vão sim, ainda vão achar uma ótima ideia. Sabe por que? Por que foram eles que tiveram que ver o Jimmy ir lá todos os dias e perguntar por você. Ver ele chorar e sentar na escada esperando você voltar
- Ele finalmente está se recuperando do estrago que você fez, e você quer ficar desfilando por aí só pra ele te ver e você partir o coração dele de novo?
Nesse momento um inimigo de infância entra no café.
- Aí! Chega pra lá. Ta fazendo o que aqui Jenna?
- Vocês viraram amigos agora foi?
- Ninguém é amigo aqui. Mas quando alguém faz uma coisa terrível, com um dos nossos, nós nos tornamos amigos de infância. A gente pode não se gostar em muitas coisas, mas fazer o que você fez.
- Foi o que a gente tava falando pra ela... a gen...
- Cala a boca! Ta fazendo o que aqui?
- Vim visitar minha família.
- Ta proibida, e pode acreditar, seus pais vão concordar com a gente.
- A cidade toda vai.
- É.
- Tá tá tá! Vocês têm razão. Eu cheguei ontem de noite e quando e quando minha mãe me viu tomou um susto e me escondeu como se eu fosse foragida da polícia, e me falou que não era uma boa ideia eu estar aqui. Ela nem queria que eu viesse aqui hoje, ela queria me prender dentro de casa. De qualquer forma eu estou [JP1]  indo embora no domingo de tarde. Vocês podem dar uma segurada até, depois eu prometo que antes de vir aqui vou checar com vocês.
- Jimmy não pode saber que você estar aqui. De jeito nenhum. Agora que ele está começando a se recuperar de tudo, tá até namorando com a Susan.
- Mas o que que a gente vai fazer? A gente não pode prender ele dentro de casa...
- Roberto você é um gênio!
- A gente vai prender ele em casa? Como assim? É impossível prender alguém dentro de casa, ainda mais ele.
- É totalmente possível. A gente vai comprar um monte de salgados, doces, refrigerante, e a maior coleção de filmes que tiver..aí a gente vai aparecer na casa dele de surpresa com tudo isso e vamos dizer que é um fim de semana só da gente, só dos rapazes, e como a gente vai levar comida suficiente, ninguém vai precisar sair para comprar nada, muito menos ele, eliminando assim o risco dele te encontrar. Domingo de tarde você vai embora, domingo de noite a farra/prisão acaba, e pronto. É o plano perfeito.
- Mas você ta esquecendo de um detalhe. Todo domingo de tarde ele almoça na casa da mãe dele, ele não perde esse almoço por nada na vida dele.
- E sábado de tarde ele vai sair com a Susan.
- Então a gente vai ligar para a mãe dele, e para a Susan, e vamos contar tudo o que está acontecendo e o nosso plano e elas vão nos ajudar.
- Aê! A cidade inteira vai ajudar, se tem uma coisa que uni essa cidade, é a vontade de proteger o Jimmy dela.
- Eu vou pra casa da minha mãe agora. Tchau.
- Espera um minuto aí. Você ta grávida?






 [JPL]

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