sexta-feira, 24 de março de 2017

Encontros e Desencontros Cap. 7

7º Capítulo



(Susan) – Foi uma festa de noivado muito linda. Eu realmente gostei. Você ainda trouxe minha irmã. Como você pensou nela?
(Jimmy) – Quando a gente toma decisões como essa, a gente quer a família por perto, pra celebrar com a gente. É claro que tem gente que não se importa com nada disso, como é o caso do Reinaldo. Você lembra de quando ele contou que ia casar?
(Susan) – Lembro, lembro sim, (risos) foi engraçado. A cidade inteira pensou que ela estava grávida.
(Jimmy) – Na verdade até hoje as pessoas pensam que ela estava grávida, e depois do casamento acabou perdendo o bebê.
(Susan) – Verdade. Outro dia a gente estava no mercado e uma jovem apareceu e veio falar com a gente. Ficou querendo conversar com ela, dizendo que está passando pela mesma situação que ela passou, e está querendo conselhos sobre como reagir a tudo isso. Ela ficou toda perdida, sem saber do
que ela estava falando, até que a mulher falou que perdeu o bebê a cinco meses e ainda não superou. Ela ficou: mas eu não perdi nenhum bebê, todas as minhas gestações vingaram. E a mulher disse: a sua primeira gravidez, antes de casar, você engravidou, casou e depois de um tempo de casada você perdeu o bebê.
Ela ficou tão irritada quando a mulher disse isso. No final essa tal mulher que veio pedir conselhos era a filha mais velha da dona da padaria.
(Jimmy) – Filha e dona Delfina? Não lembro dela.
(Susan) – Ela se mandou pra cidade ainda adolescente.
(Jimmy) – Ah, agora eu lembrei, do caso, não da pessoa. Eu lembro, eles ficaram chateados, envergonhados por que a filha ainda moça foi para a cidade, sozinha ainda por cima. E como ela está afinal?
(Susan) – Não sei.
(Jimmy) – Como não sabe?
(Susan) – Isso foi cinco meses atrás.
(Jimmy) – Você falou outro dia, eu pensei que isso tinha sido há duas semanas atrás, no máximo.
(Susan) – Maneira de falar.
(Jimmy) – Tá tudo bem? Você tá tão distante.
(Susan) – Tá sim, é que eu estou tentando lembrar sobre o que a gente estava falando antes de entrar nesse assunto e não estou conseguindo.
(Jimmy) – Noivado, casamento.
(Susan) – Foi sobre isso, mas não foi isso.
(Jimmy) – (risos) – Como assim foi sobre isso mas não foi isso?
(Susan) – A gente estava falando sobre noivado e casamento, mas teve outro assunto dentro desse assunto, como tópico e subtópico, sabe...
(Jimmy) – Sei. Antes a gente estava falando sobre....
(Susan) – Lembrei. A gente estava falando sobre aquando Reinaldo anunciou o casamento.
(Jimmy) – Isso. Era Natal, eu acho...
(Susan) – Não, era aniversário do Roberto. Eu lembro por que ele ficou super chateado. Todo mundo estava ao redor dele, falando sobre ele, conversando com ele e aí o Reinaldo chegou com a Lívia, e assim que entrou na sala já foi falando: nós vamos nos casar. E aí todo mundo começou a dirigir a atenção pra eles dois. Uns iam parabeniza-los e ficavam lá, fazendo milhões de perguntas, e outros voltavam para o lugar onde estavam e começavam a questionar entre si a novidade, a ficar perguntando se ela estava grávida. Eu lembro também que no final, quando o pessoal ia se despedir dele, dava parabéns pela linda festa de noivado que ele tinha feito. Eles ficaram sem se falar por um mês.
(Jimmy) – Eu lembro, mas você lembra dos mínimos detalhes em.
(Susan) – É, eu ia conversar com o Roberto quase todos os dias. Pra fazê-lo voltar a falar com o Reinaldo, mas toda vez que eu ia, ele fazia questão de me lembrar aquela noite. Ele me contou essa história por quase um mês inteiro, acho que nunca mais vou esquecer daquele dia.
(Jimmy) – Mas eu acho que não é só por isso que você nunca vai esquecer daquele dia.
(Susan) – Por que? Do que você está falando?
(Jimmy) – Eu nunca me esqueci. E eu sei que você também não.
(Susan) – A gente quase se beijou naquele dia. Eu sei. Eu lembro.
(Jimmy) – Quase? Quase não, a gente se beijou naquele dia. Eu não acredito que você não lembra que a gente se beijou.
(Susan) – A gente se beijou? Eu lembro que a gente quase se beijou, e no dia seguinte eu acordei lembrando desse sonho, que a gente tinha se beijado. Então não foi só um sonho?
(Jimmy) – Não. A festa já tinha acabado e a gente estava ajudando a limpar. A gente estava indo pra cozinha, só que eu estava indo pela sala de jantar e você pelo corredor, e aí a gente se esbarrou. A gente ficou se olhando por um tempo, e então você virou as costas dizendo que já ia embora, mas eu te agarrei pelo braço e te puxei pra perto de mim. Você ficou colada ao meu corpo, a gente se olhou por mais uns cinco segundos e então a gente se beijou enlouquecidamente por uns 4 minutos e então você se soltou e saiu correndo para ir embora. Depois de cinco minutos eu ouvi a Jenna gritando socorro, quando eu fui ver você estava caída no chão. Você estava tão desesperada pelo o que tinha acabado de acontecer, e ainda por cima esbarrou com a Jenna, sua “amiga” minha namorada, que correu pra ir embora e foi atropelada por um carro que estava passando em alta velocidade. Eu corri e te peguei no colo e te levei para o hospital. Você só acordou no dia seguinte e dando sinais que tinha perdido uma parte da memória. Eu então deixei pra lá, mesmo sem querer, por que eu queria mais do que nunca estar com você, mas eu achei que o melhor a se fazer e não falei nada com você. Mas três dias depois quando eu fui te visitar, quando a gente finalmente ficou sozinhos, você me pediu desculpas pelo o que aconteceu e disse que aquilo nunca mais ia se repetir. Eu achei que você lembrasse de tudo.
(Susan) – Eu lembro da gente se esbarrando na cozinha. E depois eu acordando no hospital. Mas enquanto eu dormia, eu meio que via a gente se beijando. E depois que eu acordei, eu tive certeza que aquilo era um sonho, que talvez nunca fosse se repetir. E quando a gente esbarrou, o clima foi muito intenso, então por isso eu achei que devia falar aquelas coisas.
(Jimmy) – Um sonho que você realizou, realiza até hoje, e vai continuar realizando até o fim das nossas vidas.
(Susan) – E você lembra de todos os detalhes daquela festa também.
(Jimmy) – Bom, da parte do anuncio de casamento eu não lembro não, eu sempre acho que foi no Natal. Mas dessa parte da gente, eu nunca me esqueci, e nunca vou me esquecer. Aquele foi o nosso primeiro beijo.
(Susan) – Verdade. E eu não consigo lembrar do nosso primeiro beijo.
(Jimmy) – Lembra sim. Sempre lembrou, mas achava que era um sonho, e agora você já sabe que não foi só um sonho, foi bem real.
(Susan) – Por isso que toda vez que a gente acabava se tocando eu sentia algo, como se fosse um choque passando pelo meu corpo.
(Jimmy) – Depois daquele dia, toda vez que eu te via eu sentia uma vontade louca de te beijar. E o quanto mais perto a gente ficava, mais à vontade aumentava. E quando a gente se tocava então, eu tinha que fazer uma força muito grande pra não te puxar pra perto de mim e te beijar.
Mas depois de um tempo eu achei que aquilo era errado e adormeci o sentimento dentro de mim. Na época eu achei que eu tinha esquecido. Mas quando a gente se beijou de novo pela primeira vez, todo aquele sentimento voltou, e eu percebi que na verdade eu só tinha adormecido o sentimento.
(Susan) – Você sente falta dela?
(Jimmy) – Eu? Claro que não. Na verdade eu acho que eu só fiquei tanto tempo com ela por que você estava junto. Era como se você fizesse parte do relacionamento. Uma parte muito importante. Por que ela não podia estar comigo o tempo todo, mas ela também não queria me deixar sozinho por achar que outras mulheres iam dar em cima de mim e eu ia deixar, e ela sabia que eu estando com meus amigos e nada é a mesma coisa, então tecnicamente eu só podia sair com você. Por que você era amiga dela, então eu não ia poder trai-la na sua frente. Eu acho que se a gente tivesse casado, tudo ia mudar, por que você não ia mais poder está sempre por perto, e aí a gente ia sentir sua falta e nada mais ia funcionar.
(Susan) – Verdade. Eu lembro que quando teve aquela feira de moda aqui, que garotas de outras cidades vieram também e ela ia ser uma das modelos, ela me pediu para não tirar o olho de você, e que se fosse preciso que era pra eu fingir ser sua namorada. E se alguém perguntasse se você tinha duas namoradas, era para dizer que sim. Vai convidar ela para o casamento?
(Jimmy) – Não vejo por que. Não tenho interesse, nem vejo motivos para eu fazer isso. Nem você na verdade. Você me disse que só foi ser amiga dela pra ficar perto de mim. Mas por que essas perguntas?
(Susan) – É que, querendo ou não ela faz parte das nossas vidas. E a gente até que teve momentos felizes ao lado dela.
(Jimmy) – Ele nos fez viver uma mentira. O mínimo que ela podia fazer era nos dar alguns momentos de alegria. Se você vai fazer uma pessoa viver uma mentira você não pode fazer com que seja doloroso, se não a pessoa vai perceber que está numa mentira e vai embora. Então você tem que dar alguns momentos de felicidades para manter a pessoa na sua mentira.
(Susan) – Faz sentido.
(Jimmy) – Meu amor, não tem por que você ficar com medo ou insegura. Nós estamos noivos, vamos nos casar, de verdade. E vamos ser felizes. Muito felizes. A não ser que você me abandone igual a ela, (risos), por que da minha parte nada vai mudar. Eu prometo.
Está bom?
(Susan) – Tudo bem. (risos)
(Jimmy) – Agora vamos que eu vou te acompanhar até em casa que já está tarde. Se você quiser convidar ela, eu prometo que vou pensar no assunto. Amanhã eu passo na sua casa as nove para a gente ir no parque da Lagoa junto com o pessoal ok?
(Susan) – Ok. Eu te amo sabia.
(Jimmy) – Eu te amo mais.
(Susan) – Eu te amo muito mais.
(Jimmy) – Nos amamos empatado.

(Susan) – (risos) Eu adoro quando você diz isso.





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JPL


Um comentário:

  1. Imaginei a cena em que se beijaram "enlouquecidamente por 4 minutos".... kkk, um era a faisca e outro a gasolina.
    Parabéns pelo trabalho.

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