sexta-feira, 28 de abril de 2017

Encontros e Desencontros Cap. 11

11º Capitulo




(Susan) - Onde nós estamos? Eu não vi isso ontem.
(Jimmy) - É o terceiro lado da floresta, ou terceira parte. Quando a gente entra, tem o lado direito, onde tem a lagoa e caverna, que é onde vocês ficaram. O lado do meio, é onde tem mais a floresta densa, onde eu e os rapazes vamos pegar frutas. E esse, que é o lado da esquerda, só os casais vêm aqui. É bem romântico.
(Susan) - Isso aqui são duas árvores?
(Jimmy) - Elas se uniram, e formaram um coração, está vendo?
(Susan) - Sim, muito lindo. E as folhas tão vermelhas. Como conseguiram fazer isso?
(Jimmy) - Ninguém fez nada. A natureza que criou. Como elas começaram a nascer muito próximas uma da outra, não tinha espaço para os troncos, então os troncos começaram a crescer afastados
um do outro, e aí ficou no formato de um V, só que os troncos começaram a querer cair, porque estavam muito pro lado, meio torto, então os troncos continuaram a crescer para o meio, como se estivessem tentando se equilibrar, e então os troncos se encontraram no meio, e terminaram de crescer indo um pouco para baixo, assim formando um coração.
(Susan) - Que lindo.
(Jimmy) - Sim, agora chega um pouco pra trás. Isso. Olha pra cima.
(Susan) - Tem outra!? E bem maior.
(Jimmy) - Se a gente continuar caminhando, a gente vai encontrar várias outras, de todos os tamanhos. Mas essa é a maior de todas elas. A história dessas árvores é que há muitos anos atrás, dois amigos, quando eram crianças cresceram juntos, e gostavam muito de maçã, então viviam comendo maçã por onde passavam, e eles adoravam vir para cá, que na época era só um campo gramado, sem nenhuma planta, nenhuma árvore. E eles sentavam, todo dia no mesmo lugar para comer maçã e brincar, conversar. Só que quando eles começaram a ficar adolescentes, seus pais se mudaram, cada um para um lugar, e eles se separam, perderam contato, e anos depois, quando eles já estavam adultos, se encontraram novamente por acaso. Se casaram, tiveram filhos e resolveram voltar a morar aqui na cidade, e quando eles vieram visitar o campo, a árvore já estava grande, e com mais outras três árvores menores no meio. As árvores representam eles dois, que cresceram juntos, se separam, se reencontraram, casaram. E as arvores menos são seus filhos, que tiveram filhos, netos, e assim por diante.
(Susan) - Nossa, que linda estória.
(Jimmy) - E ainda tem mais.
(Susan) – Mais? O que mais pode ter?
(Jimmy) – Dizem que essa árvore é mágica. Muitos casais vêm aqui para escrever seus nomes nas árvores. Mas geralmente só quem é casado pode fazer isso. Por que muitos que estão namorando ou noivos, não tem certeza ainda se se amam mesmo ou não, e se algum casal assim escrever seus nomes na árvore, a árvore fica de acordo com o casal. Se o casal se casar e viver infeliz, a arvore para de dar frutos, e fica com a aparência feia, caída, infeliz... igual ao casal. Se o casal se separar, a arvore morre. Literalmente. Você só pode escrever seu nome na árvore se você tiver certeza que você ama aquela pessoa, e que ela te ama também.
(Susan) – É verdade isso?
(Jimmy) – É o que diz a lenda.
(Susan) – E você já viu isso acontecer?
(Jimmy) – Ver, eu não vi. Mas você está vendo que tem essas mesinhas com dois banquinhos espalhado por toda essa floresta?
(Susan) – Sim.
(Jimmy) – Eram árvores. Árvores do amor, que é como elas são chamadas. Ninguém as cortou, elas caíram sozinhas, formando as mesas e bancos. O resto se mistura as plantas, gramas etc.
(Susan) – Eu não acredito nesse tipo de magia.
(Jimmy) – Todo mundo tem. O Reinaldo e a Lívia tem, a Sara e o Pedro, meus pais, seus pais.
(Susan) – Mas eles nunca me falaram nada.
(Jimmy) – Não pode falar. Se alguém contar essa estória para alguém só por contar, vai gerar romantismo no outro, o que vai levar a pessoa a querer colocar o nome aqui, só por colocar, sem sentimento, o que vai levar a destruição desse lugar. Além do mais, esse lugar é como o amor de um casal entre quatro paredes, não é pra ser falado por aí, é pra ser vivido, sentido. Só sabe desse lugar quem já passou por aqui. Quem nunca passou por aqui não sabe.
(Susan) – E como você ficou sabendo desse lugar. Se só sabe quem passar por aqui, o casal... como um novo casal descobre esse lugar?
(Jimmy) – Você já ouviu falar da lenda de Kendra?
(Susan) – Já. Já sim, agora tudo faz sentido. Eu não acredito que eu não percebi a semelhança das estórias. Minha mãe me contou essa estória junto com a minha irmã outro dia. Foi no dia do nosso noivado. Quando a gente estava em casa minha irmã mais velha olhou para minha mãe e disse: “eu acho que ela está pronta.” aí minha mãe confirmou e me contou essa estória. Depois quando ela acabou minha irmã disse que não era pra eu contar essa estória pra ninguém, nem pra você, porque depois eu contar pra você, mas só quando a nós estivéssemos prontos. Eu perguntei a ela quando a gente ia estar pronto, e como eu ia saber que a gente estava pronto. Ela disse que eu ia saber quando fosse a hora.
(Jimmy) – Essa é a hora. Os nossos pais percebem quando a gente ama e é amado de verdade e nos conta essa estória.
(Susan) – Seus pais não te falaram isso antes. Eu achava que eles não gostavam de mim. E agora você está me dizendo que eles só te contaram isso agora.
(Jimmy) – Eles te adoram. Mas eu já sabia dessa estória. Quando eu era mais novo, e meu irmão mais velho estava se preparando para casar eu ouvi meus pais contarem essa estória para ele.
(Susan) – Escutando conversa atrás da porta é?
(Jimmy) – (risos) Pode perguntar o que você quer perguntar.
(Susan) – Eu não quero perguntar nada.
(Jimmy) – Eu sei que você quer me perguntar algo, e eu sei também exatamente o que você quer me perguntar.
(Susan) – Eu não quero perguntar nada. Eu estou achando tudo muito lindo.
(Jimmy) – Não.
(Susan) – Não o que?
(Jimmy) – O que você quer me perguntar. A resposta é não.
(Susan) – Eu não te perguntei nada.
(Jimmy) – Você quer saber se eu escrevi meu nome aqui com a Jenna.
(Susan) – Não?
(Jimmy) – Não.
(Susan) – Mas ela vinha aqui com você e o pessoal.
(Jimmy) – Mas eu nunca a trouxe aqui. Não me sentia pronto. Eu queria me sentir pronto, porque se eu me sentisse pronto, eu saberia que era pra sempre, sabe. Que ela me amava e eu a amava também. Mas por mais que eu quisesse e tentasse, eu nunca me sentia pronto.
(Susan) – E você ia casar com ela mesmo assim?
(Jimmy) – Como eu ouvi meus pais contando que na maioria das vezes só quem escreve os nomes lá são os casados, eu imaginei que com a gente ia ser assim também. Que eu ia me sentir pronto depois de casado. Mas agora eu estou pronto.
(Susan) – O que você quer dizer com, está pronto agora?
(Jimmy) – Eu quero dizer que eu estou pronto para escrever nossos nomes nas árvores.
(Susan) – Sério? Mas...
(Jimmy) – Eu te amo, e por mais que você diga que tem dúvidas e tudo mais, eu sei que você me ama, e só está dizendo essas coisas porque está com medo, é normal. Mas eu não seria a pessoa certa pra você se eu não percebesse isso.
(Susan) – Você é incrível sabia? Eu amo você Jimmy Santiago.

(Jimmy) – Eu amo você futura Susan Lilian Santiago.

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[JPL]

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